Linha Dura x Radicais

Lisboa, 17.6.1975,  3ª feira.

Em Jerônimos com Michael e por perto almoçamos. Por ali caminhamos a observar pouco movimento, ausência de turistas, diferenças entre Lisboa antiga e atual.

Meu amigo sofria as saudades do Brasil, bem como lamentava as pressões que seu jornal Daily Telegraph recebera do Governo brasileiro para substitui-lo como correspondente. Como explicá-las?

Assunto que tão me deixara surpreso, pois a Michael, como conservador que era, não escapara que à Esquerda faltas compreensão do momento histórico e que procurava radicalizar a situação política sem levar em conta o bom êxito da economia, o que irritava a facção militar à procura de acalmar a ação terrorista com o programa de próxima abertura.  Seqüestro a Embaixadores, assaltos a bancos e assassinatos de militares e empresários desencadeados com freqüência.

Tão conciliador mostava-se o chamado grupo Sorbonne, que seu ideólogo General Golberi sempre recebia secretamente partidários de linha comunista moderada, o que muito parecia com o estado de coisas em 1942 segundo a Liga de Defesa Nacional.

General Rabello, então influente junto aos quadros da Sociedade Amigos da Améria trouxera ou fora trazido por grupo que cercava o Ministro Oswaldo Aranha, circunstância que Vargas admitia, porém fazendo restrição às eleições presidenciais naquele momento em que o Brasil passara a apoiar abertamente os aliados e mesmo cooperar com Roosevelt.

Médice, logo de início a seu governo, leu dois discursos anunciando que em sua gestão o processo político seria aperfeiçoado. O Serviço Nacional de Informações disso tinha conhecimento, apoiando-o.

Segundo Hermógenes Príncipe, político baiano de grande percepção, armou-se com Jorge Serpa a proposta para o seu discurso de posse.

Tal imprudência acabava de dar força à linha dura dos militares e dos próprios conservadores que preferiam a estratégia planejada por Castelo Branco e acatada por Costa e Silva: a linha moderada para alcançar o estado de direito.

Michael, em sua coluna do Daily Telegraph, como redator, descreveu o quadro político de então, o que desagradou os mais radicais. Oficialmente Médice não teve conhecimento de que o Itamarati iria tecer os pauzinhos para as suas estrepolias.

O jornalista, admirador do Brasil, não compreendeu o imbróglio.

À tarde, após passar pelo Hotel, seguimos de carro até a Fundação Calouste Gulbenkian, que estava com pouco movimento.

À noite, enquanto ia eu para as Portas de Santo Antão, Fields partia para uma entrevista com um grupo do O Porto que por aqui faz o balanço da confusão montada pelos esquerdistas.

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Published in: on outubro 10, 2009 at 3:39 pm  Deixe um comentário  

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