O último passeio

Vila Nova de Gaia, 24.11.1974. Domingo

Com João saímos pela manhã e nosso destino era percorrer as adjacências da cidade. Mas nos dirigimos para Vila Real, lá almoçando. Após a refeição, em pleno Trás-os-Montes, onde nasceu o respectivo Concelho, no Século XIII.

Não seria possível conhecer toda aquela região, pensei, mas o que importava era obter de João a rota de sua vida, a experiência de combatente em Angola até que atingido por um estilhaço em certo confronto.

Aos dezoito anos seguira na Infantaria, lá ouvindo dos companheiros milicianos o amargo desencanto com a vida. No entanto, integrava o grupo mais aguerrido de sua tropa.

“João, diga-me o que pensava de Salazar e de sua teimosia em manter a política colonialista”.

“Era seu estilo, seu modo de considerar basicamente a portugalidade. ponto de partida de suas ações, como se Portugal fosse uma exceção no mundo latino”.

Em Povoa de Varzim, após passar por Guimarães e lá descer para uma bica (xícara de café), sentamo-nos para o almoço e demos pelo centro a caminhada que nos levou ao conceito de Eça de Queiroz quanto à ética e à estética. Sob o manto diáfano da fantasia…e o Mestre acrescenta o domínio da verdade.

A mesma escultura têmo-la em Lisboa, em sua velha Lisboa próxima ao Cassino, o das Conferências, próxima à atual Casa de Eça de Queiroz.

O estilhaço que o atingiu o pôs entre os heróis, mas não conspirou por achar que Caetano Veloso teria opinião mais lúcida. O Professor, ora, o Professor…

Em nosso retorno, paramos em Guimarães a fim de rever alguns dos meus primos, o ramo dos Freitas, que ele também conhecia.
Tomei o volante porque não se sentira confortável e por aquelas bandas já passara com José Carlos. Voltamos por Fafe, Felgueiras, Amarante, onde reside, casado com uma Ramalho, irmã de Conceição.

Falando nisso, conhecera eu no Porto o pai de ambas, coincidentemente colega em Coimbra, de turma de um distante primo de minha mãe, Olavo Alves de Freitas, dos Alves de Felgueiras.

Nessa altura dos acontecimentos, eu sentia que muito próximas eram as famílias minhotas.

Em Amarante, demos longo passeio até o bar amigo que nos deixava ver as águas correntes do Támega, a caminhar para o Douro.

Sua origem vem do século treze, cidade que conseguiu deter os franceses de Bonaparte em tempo suficiente a fim de que o Regente D. João e seus apaniguados viessem para o Brasil.

Cortando Penafiel e lá jantando, o dia mostrou-se por demais cheio de informações, o que é boa coisa para o futuro.

Dormi em casa de Luis Carlos, tendo antes que consumir muitos cálices de vinho do porto de meio século de vida.

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Published in: on julho 4, 2009 at 4:32 pm  Deixe um comentário  

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