O clássico popular em sua formação

Nápoles, 05.04.1974, 5ª feira 
          

Regressando a Nápoles, podendo ainda fazer alguma pesquisa que me levasse ao clássico popular na música meridional. Parti para o Arquivo Biblioteca Museu Cívico e do Colégio de Música e pelo fato de já ter lido alguma coisa sobre a transição do barroco à fase pré-verdiana.

Deu-se o que se esperava. Rossini, Mercadante, Pacini, Vincenzo Bellini, Cimarosa, Donizetti, Zingarelli e muitos outros seguiam os mesmos caminhos, presos à música religiosa, em seus começos, e tudo faz crer que nela alcançaram a etapa para caracterizar a escola napolitana.

Paralelamente, o clássico popular dirigia-se para a criação do gosto musical de todas as províncias vizinhas a Campania. Aquela sinfonia helênica, atravessando a Meia Idade, era bem diversa do pragmatismo romano na expectativa de um dia serem absorvidos pelos lombardos et caterva.

Consideremos que a primeira sinfonia sobre os motivos napolitanos tenha ocorrido por volta do terceiro decênio do Oitocentos, assim como em 1838 advieram Sette parole de nostro Signore.

O apogeu do clássico popular só nos começos do Século XX dar-se-ía, graças, sobremodo, as conhecidas composições de Ernesto de Curtis, superando as canzoni napoletane do século anterior.

Mas há, sem qualquer dúvida, pormenores específicos que cabem a especialistas deslindar e que nos fazem perder o ânimo de compreender sem o domínio do que há de emocional naquela gente tão diversa da do norte.

De Nápoles, em vôo doméstico, partimos para Milão e, à espera, estava o colega, executivo do Setor Jurídico do meu cliente. Esclareceu-me sobre as duas reuniões de amanhã, sugerindo-me que descansasse a noite e formasse opinião sobre a mudança de cláusula contratual por solicitação do Contratado.

Em resumo, a velha questão entre Pacta sunt servanda e Rebus Sic Stantibus e nessas medidas da segunda expressão estava o petróleo. Havia seguido todo o processo da futura crise e eu não a via como idêntica à da era J.K.

Então, consultor de alguns empresários, considerei o expediente da fórmula algo sofismático, funcionando como paliativo. Precisava, no momento, pressentir até onde iriam as expectativas do endividamento externo em caminho.

 No problema de amanhã devia considerar aspectos especiais, para não dizer dos riscos, daquele contrato que era para ser cumprido. A prudência tinha necessariamente de ser levada em conta.

Comentei com os colegas tais receios em função de nossa responsabilidade, acrescentando que a prudência seria incluir em nossa reunião, o Chefe do Departamento Financeiro, como coeficiente de segurança.

Ao jantar com o Diretor, senti sua aquiescência em comparecer, porque, em verdade, havia certo risco na intransigência.Para mais cuidado em minha posição, liguei a dois amigos, os professores Roberto Campos e Ignácio Rangel. A particularidade no caso: não eram ortodoxos.

Campos era humanista e como latinista estudara direito romano, o que muito o ajudara no concurso do Itamarati e Rangel que se formara em Direito e Economia nos anos trinta e quarenta, era de extraordinária capacidade criativa.

Mas na condição de militante na profissão, lembrei-me tanto de data vênia quanto salvo melhor juízo, lembrando-me de Poncio Pilatos.

Afinal, que é a verdade?

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Published in: on maio 2, 2009 at 12:25 pm  Deixe um comentário  

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