Um dia em Oxford

Oxford, 15-12-72 – Sexta-feira

          Levantamo-nos cedo e desafiando o frio descemos a seguir até Oxford, onde Antônio Olinto faria palestra sobre a cultura brasileira na Universidade. Sir Dave Hunt, arqueólogo por formação, senhor de humanística invejável e ex-embaixador de Sua Majestade no Brasil, cedera-nos carro com motorista. Richard Hunt, seu filho e nosso amigo, conosco iria até o condado na confluência do Cherwell e de Isis.ao leste da Inglaterra.

          Não seria longa a viagem e havíamos de chegar com o tempo de proporcionar-me a beleza natural da região. Seguimos a estrada quase reta, parando algumas vezes, enquanto o palestrante revia os pontos essenciais do seu trabalho.

          Enfim chegamos e descemos no campus diante do prédio que parecia o principal do conjunto. A cidade era a Universidade, a população não devia passar trezentas mil pessoas, casas antigas e ruas com tráfego suportável.

          Era um fim de semana, explicava-se. Um almoço ligeiro e aguardava-nos o Professor do Departamento que reunia brasilianistas de várias especialidades.

          Ao percorrer toda a ala e conhecer a maior parte dos interessados em nossa cultura, sentamo-nos em carteiras de aulas, adequadas à presença mais ou menos de centena de ouvintes.

          O inglês como idioma em Londres é um dom do conservadorismo britânico. Não há jargão com palavras mal constituídas. O conhecimento do latim e do grego entre os intelectuais tornam os lexicógrafos rigorosos na formação de neologismos indispensáveis às ciências aplicadas. As palavras não existem a fim constituírem aleijões etimológicos, o processo de formação é histórico e racional A gíria é outra coisa, desaparece em meio século de vida e está sujeita a mudanças de significado vulgar.

          Antonio Olinto discorreu muito bem sobre o tema, cuidadoso com as fontes. Atento, fixei-me no que expunha sobre as escolas filosóficas e literárias. Em nosso regresso fizemos algumas paradas, inclusive em Reading e Windsor, contornando na ultima o palácio real, ouvindo atentamente de Richard Hunt observações preciosas sobre o passado histórico na era de Eduardo III.

          Relendo hoje as observações anotadas sobre a palestra, encontrei seus ecos em livro escrito pelo conferencista na tradução de Adelina Aletti, Letteratura Brasiliana, publicada pela Jaca Book, de Milão, em l993.

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Published in: on julho 19, 2008 at 4:22 pm  Deixe um comentário  
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