Prólogo e Epílogo

 

          Se o passado e o Futuro são entidades intangíveis, o leitor indagará como consistiriam os diálogos do Ator, ou como se captou o vínculo entre e o fato trazido para o presente e assim questionado. Dessa forma, tira-se a conclusão de que ao seu ousado self  coube exumar as fatias recolhidas da memória a fim de desafiá-las, e pois, serem vistas sob nova dimensão.

          O Observador torna-se mensageiro da interação entre o passado e o presente, vinculada ao espaço-tempo em que se encontra. Trata-se de resgate em plano existencial.

          O Presente é inconcebível. Serve de simples fração de segundo na passagem da Seta do Tempo, e o Passado é o que já não é no pós-instante em que o invocamos, exibindo-se como série de fotografias desbotadas. Desse modo, o Presente dirige-se ao Passado com perda de sua identidade.

           Digamos que Passado e Futuro não estejam no Presente, sendo avaliados de ângulos existencialmente mudados. O primeiro é despido de autenticidade, tornar-se-á reconstituído por desgastadas lembranças, o segundo é virtualidade. O que são, afinal, todas essas Entidades senão utopias como as miragens indispensáveis à vítima da expectativa.

          Restou alguma coisa, em cujos limites a consciência do Ator avalia os agregados advindos de experiências posteriores, que serão distorcidas por personalidade munida de bisturi crítico. 

          O acontecer, o real pinçado, de qualquer modo que seja, recebeu contribuições reiteradas de vivência e com todas toma o terreno como possibilidade por si mesmo apresentado, questionando-o enquanto o sente como virtualidade.

          Já a consciência do Ator em face dos retratos descritos pelo Diário, vacila em relação sujeito-objeto, e atravessando o conjunto de dados preservados na memória em novo relato acrescenta entendimentos encobertos, criando nova realidade. Fundem-se, desse modo, os fenômenos subjetivos, não como variáveis isoladas, mas conjugadas em corrente da consciência, na expressão de William James.

          A graça do exercício está na interação. Como podem simples esqueletos trocar suposições e talvez supostas verdades com o Observador desconhecido que dispõe de reflexões estranhas e remotas? A conjectura intercala-se então como saída providencial, enquanto as personagens permanecem em outro espaço-tempo.

          Em verdade há o registro do passado, escrito como espantalho, papel que o Diário desempenha como Ator e não como Observador. O primeiro é que está presente, diante de pormenores escondidos.

          Necessário, pois, ao Ator, acrescer às estátuas do passado os conceitos que lentamente se formaram durante o percurso da vida, apenas não tentando desafiá-las e complementá-las com o recurso de simples adivinhação. Mister apenas não deixar a porta aberta às tentativas do imaginar irresponsável, ou seja, ao querer imaginar com a lógica da indução.

          Ela vale, assim tomada, como recurso do arqueólogo que juntou os pedaços do vaso estilhaçado.

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Published in: on junho 14, 2008 at 4:18 pm  Deixe um comentário  
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