Maria Teresa Giuffrè

– XLI –

Eis o seu nome em solteira, quando já conhecida escritora na Itália, motivo por que não adotou literariamente o sobrenome do Professor Francesco Mercadante. O casal reside às margens do Tibre, Lungotevere dei Mellini, em prédio clássico, próximo ao Castelo de Santo Ângelo e a Catedral de São Pedro.

De suas janelas se vê, à frente, o amplo espaço da Praça do Povo ao Bolo de Noiva, compreendendo Navona e seus arredores, bem como o túmulo de Augusto.

É o centro da Città Antica disposta historicamente ante nossos olhos.

Maria Teresa, siciliana de nascimento, laureada em letras clássicas, diplomada em música e exímia pianista, colabora em jornais e revistas literárias. Em 1989 com o livro Isola de Arturo, obteve o prêmio Savarese-Enna. Seu romance La Veglia di Adrasto, do mesmo modo, três anos antes, recebera o de Elsa Morante.

Tratando-se do último, com o Imperador Marco Aurélio participamos de diálogos imaginários graças ao fascinante conhecimento de Teresa. Traz-nos os dias em que viveu o filósofo. Reencontra-o com estilo de rara beleza, enceta o diálogo com a ajuda de Adrasto e do próprio leitor.

Lera-o eu em sua primeira edição durante o retorno refletindo sobre Campidoglio dias antes do regresso ao Rio.

A cada página, lembrei-me da caminhada ao Hotel pouco antes da meia noite.Era inverno e atravessei a Praça na esperança de que fantasmas tomados de nostalgia viessem a meu encontro. Tudo em vão. Eram seres reais os poucos visitantes; alguns por rotina de trajetos no caminho estranho para Tarpéia. Adiante, próximos ao Tubularium, alguns guardas indiferentes pareciam figuras residentes na noite.

Mas a estátua, como a personagem de Teresa Giuffré, é o instante eterno de Roma Só a presença equestre de Marco Aurélio daria para confundir o mais velho dos diabos.Como explicá-la, integra e perfeita, salva por um equívoco, por julgarem-na durante séculos, a figura de Constantino. Fecho o volume e ponho a minha atenção na epígrafe. Era síntese de meu estado de espírito naquelas alturas do vôo, dois mil anos depois.

Da lavra de Platão a epígrafe, escolhida por Maria Teresa como a síntese de Adrasto: “acreditava que se devesse dizer a verdade sobre qualquer argumento. Que esta fosse a primeira regra para merecer qualquer elogio. E que em um segundo momento entre essas coisas fosse escolhendo as mais belas, postas de modo mais elegante”.

Nos anos noventa em passagem por Londres, soube por Antônio Olinto que o lançamento de seu livro – Letteratura Brasiliana (Milano, 1993), ocorreria na Embaixada Brasileira, acrescentando que o Embaixador Ricupero decidira estender o evento por algumas semanas. Deixei-lhe outro encargo no sentido de incluir entre os convidados o casal Mercadante, levando em conta que tomaria conhecimento de nossos temas literários.

O círculo funcionou por algum tempo com a participação da escritora que dessa forma, do mesmo modo que o marido, demonstrava o carinho pela obra onde os laços culturais se complementam.

Anúncios
Published in: on maio 24, 2008 at 3:44 pm  Deixe um comentário  

The URI to TrackBack this entry is: https://pmercadante.wordpress.com/2008/05/24/maria-teresa-giuffre/trackback/

RSS feed for comments on this post.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: