De Cidades próximas a Torraca

XXV

     Findara o Novecentos, adviera outra era, o século XX, chegando em abril de 1901 Michele Mercadante, indo para São Carlos, S.P. Ainda no mesmo ano Geraldo Mercadante, Giuseppa, sua esposa, e filha Tereza, rumando para Cravinhos, S.Paulo; outra família no mesmo mês, em julho, Giuseppe e esposa Felicia e filhos Pasquale e Raffaela e, afinal, vindos de Gênova, chegariam no mesmo vapor outro Giuseppe com a esposa Grazia Palma e os filhos Angela, Giuseppe e Stella, dirigindo-se para a Fazenda Cabras em São Paulo .

     Vimos que a nova emigração, ocorrida a partir do meado do Novecentos, repetiu-se por algum tempo.

     O modo de processá-la não se identifica com as anteriores, desde a primeira, a ida para o Egito, quanto talvez a mais dolorosa, após a destruição de Jerusalém pelos romanos. A terceira confunde-se com a chamada solução final dos reis católicos da Espanha coagidos pelo Santo Ofício, nos finais do século XV.

     Descrevemo-las penosamente, de certo modo punidos pela escassez da documentação existente no sul da Espanha. O período tranquilo pela família em Campania, Itália forneceu ao autor maior número de dados enriquecidos por meia centena de entrevistas com os primos que lá ficaram após o decênio sangrento e do próprio Risorgimento.

     O Século XX, ainda que sacudido por abalos de conflitos mundiais e crises econômicas, deu-nos por meio do progresso tecnológico e de ciências sociais aplicadas, ferramentas de comunicação e aferimento mais acessíveis para um conhecimento totalizador.

     Tudo isso quer dizer como se comportaram os membros do clã a partir dos anos sessenta do Novecentos.

     Recorreremos aos números para o traçado de modelo que tem começo no novo Milênio. Tudo se deve à quebra das dificuldades; nossos pais e avós com a facilidade dos meios de transportes e comunicação, tendo fácil acesso ao avião, às linhas ferroviárias e rodoviárias italianas, ao telefone, ao computador, aos catálogos, ao uso da internet.

     Mas passemos à História. Voltando ao século XIX desde o seu começo dominado pela figura reformadora, porém devastadora de Bonaparte, a Itália sofreu duramente, considerando que a parte meridional da península, inclusivamente Sicília e Córsega, escaparia do entrechoque entre as nações européias e dos propriamente internos provocados pelo ideal da unidade. Acontece que ao mesmo tempo a América carecia de imigrantes que pudessem preencher os vazios do mercado de trabalho.

     No Brasil a substituição do trabalho escravo se fazia gradualmente; o café resolvera os problemas do açúcar e do ciclo aurífero, que entraram em séria decadência. A partir, pois, dos anos setenta, italianos, alemães, japoneses cá desembarcaram com postos rurais já aptos a recebê-los.

     O século XX seguiu o roteiro histórico. A circunstância de incluirem-se entre pessoas com instrução superior aos nativos, também deu ensejo aos chegados dirigirem-se, em razão de existência de bases, trazida pela experiência artesanal, aos misteres técnicos.

     De modo que se formou na segunda metade do Novecentos a possibilidade de visão do estado atual do velho clã judaico que se convertera ao cristianismo.

     Em nossos dias o maior número de Mercadantes acha-se na Itália Meridional, estimados os cidadãos do sul em aproximadamente 5.000, assim avaliados considerando aqueles que vindo do lado da mãe não mais trazem o sobrenome da linha materna.

     Em primeiro lugar destaquemos os nossos ramos de Lucania, Campania, Basilicata, Púglia e Calábria, em processo de êxodo a partir do meado do Novecentos. Hoje perfazem aproximadamente 500 pessoas.

     Os ramos sicilianos chegados da Espanha já conversos, regularmente foram recebidos na Ilha. Lá devem residir atualmente 300 Mercadantes divididos por número decrescente: Palermo, com quase duzentos, talvez mais cem em Messina, Agrigento, Catânia e Siracusa, não alcançam uma centena. Por dados não conferidos rigorosamente por mim, da Ilha emigrou grande parte para os Estados Unidos.

     O ramo italiano dos Mercatantis tem raízes peninsulares mais antigas. Ricos mercadores que residiam já no século XIII em cidades como Florença, Verona, Veneza ligavam-se também ao comercial da Espanha, só se separando após a tomada de Constantinopla pelos turcos. Para lá foram conduzidos ainda judeus e por ocasião das conversões fizeram-nas adotando o nome em lingua italiana mercatanti.

     Ainda em dias atuais lá residem os descendentes que segundo os registros dedicam-se ao teatro, à música e à literatura. Entre os mesmos estão Alexandro, Carlo Goldoni, Mauro, Luca, além de juristas, como Chiara, comercialista, Mario, agente de comércio.

     Necessário levar em conta o prestígio que desfrutava a família Mercatanti em Verona.

     Considerando a soma, a Itália ainda é o país de maior número. Há que levar em conta que os pontos dos Mercatantis existem em número reduzido, circunstância que representavam famílias encarregadas dos empórios tanto do Tirreno quanto do Adriático. Também concluindo a Espanha, o clã dela se afastou como um todo, restando parte que mantinha relações familiares com os reis católicos na época da expulsão. Trata-se dos Mercaderes, numerosos ainda na Catalunha.

     Nos Estados Unidos não chegam a 2.000 os imigrantes, seus filhos, netos e bisnetos. Em Florida, Nova Iorque, California, Nova Jersey e Pensilvânia o maior número, não superando cem nesses estados. O que se nota é que estão muito distribuídos. Em alguns casos tudo ignoram sobre a família, pois, certa vez, apresentado a um em Nova Iorque, tive a surpresa de ser informado de que apenas conhecia as origens até o avô.

     Na Argentina, o número é bem expressivo, em torno de trezentos Mercadantes vindos ds Sicília, em geral, quarenta ou cinquenta famílias de Lucânia, segundo informações de alguns primos.

     Por fim, chegados a partir do meado do século talvez ora perfazemos, pela pesquisa elaboradoa por nosso primo Ernesto Mercadante de Lima Filho o número de 800 residentes em uma centena de cidades brasileiras.

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Published in: on maio 17, 2008 at 3:40 pm  Deixe um comentário  
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