Torraca e Sapri: duas irmãs com um só coração.

XXII

      A propósito de Sapri e Torraca, houve relações tão estreitas, durante a Idade Média e a Idade Moderna, e de tal natureza, que os clãs locais também se identificaram na convivência, facilitadas sobremodo pela proximidade e pela solidariedade entre todos durante as epidemias, os ataques dos inimigos, as invasões de corsários, os sofrimentos, quando da peste negra no século XIV.

     Quem observa o panorama do golfo de Policastro, súbito imagina a fraternidade entre Sapri e Torraca, pois os Apeninos, dispostos já estão a advertir os invasores. As montanhas, inclusive as Lucanas, última vértebra lombar do corpo, põem-se como espantalhos permanentes.

     Próximos estavam o Castelo de Torraca, fortaleza e potestà e também o burgo dos súditos protegidos por muralhas e soldados. Para os moradores de Sapri sempre também se abriam os portões nos momentos extremos.

     Manteve-se, do mesmo modo, a unidade eclesiástica até 1719, quando edificada a Paróquia do Monsenhor Andréa de Robertis, Bispo de Policastro, encampando-se os móveis, objetos e a própria parafernália da antiqüíssima Cappella Del SS. Rosário que desde a Meia Idade fizera parte do patrimônio de S. Pietro Apostolo di Torraca.

      Em decorrência do estreito convívio milenar, na verdade, por todo o tempo que compreende o regime feudal, houve seu fim: as diversas ocupações estrangeiras, o Renascimento, as mudanças introduzidas por Bonaparte, o decênio sangrento de sessenta no Oitocentismo, afinal. O Risorgimento, uma comunidade única, banhada por águas salgadas e bentas. Quantos matrimônios entre os vizinhos!

     Todavia, após a chegada dos Mercadantes, se observa que certos clãs não integravam a burguesia comunal de Torraca, conforme relações de solenes encontros com autoridades. Devemos citá-los porque necessariamente por quase mil anos conviveram no mesmo sítio, sempre de forma pacífica, casando-se, formando, em conseqüência, uma cultura peculiar do Mar Tirreno.

      Ei-las, as famílias de Sapri no plural português, pela ordem cronológica dos documentos existentes: Calderaros, Schettinos, Vitas, Bellos, Milleos, Finamores, Gallotos, Ambrosis, Florenzanos, Pascquales Fescarulos, Mileos, Pasquales, Torracas, Ambrosis, Torres, la Cortes, Loisis, Pelusos, Imidiatos, Ebolis, Faranos, Coronas, Pesces, Cavalieros, Ebolis, Nicodemos, Puglieses, Cannellas .

     Porém a circunstância que melhor atesta o entrelaçamento entre as famílias de Torraca e Sapri seria a presença constante dos Gaetanos, Pascquales, Pansas, Brandis, Canizios, Rosas, Magaldos e Mercadantes nos atos episcopais de caminhos percorridos pelos ragazzi e ragazze, das praias de Sapri até Torraca e de Torraca ao povoado litorâneo a repetirem-se desde os primeiros tempos feudais até hoje, enquanto os turistas dos battellos não imaginam aquelas montanhas próximas como silenciosas testemunhas do passado.

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Published in: on abril 12, 2008 at 3:48 pm  Deixe um comentário  
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