Torraca e Sapri: Século XVIII

XX

      Em maio de 1776, cento e cinquenta e oito anos decorridos, outro documento de suma importância à comunidade, declara para patrono de Torraca São Pedro Apóstolo. Coube ao Reverendo Giuseppe Gallotti e às autoridades da comuna Callisto Brando e Francesco Lois, bem como Giuseppe Cesarino, distantíssimo antepassado desse autor e do ramo atual de Sapucaia, limite do Rio de Janeiro com Minas Gerais, procurador e administrador da Capela, estiveram presentes na solenidade.

     Homenagem também se fazia ao Barão D. Boaventura Palomolla Salone, Barão de Torraca que aprovara as medidas, bem como a Universidade de Torraca e seus alunos e professores. 

     Dois anos mais tarde, em 23 de maio de 1778, fundar-se-ía a piedosa e leiga Confraternidade das Almas do Purgatório com a denominação de Regio Memorial e aprovação do Rei Ferdinando Quarto da Sicília, do Infante da Hespanha e do Príncipe da Etrúria. 

     Reunidos o Clero e toda a comunidade torraquense, inclusive universitários locais e de Salerno, isto é, as Almas Santas do Purgatório, subscrevem a Ata Dr. Vitale Canizio, Tommaso Barra, Dr. Médico Fortunato Brandofini, Dr. Biase Barra, Orlando Campa, Leonardo Gallotti, Bartolomeu Barra, Domenico Stroduti, Valentino Gaetano, Genaro Viggiano, Rocco Stroduti, Paolo Viggiano, Vitale Viggiano, Pascale Barra, Baldassarre Martini, Giovanne Brandi Leone, Giuseppe Loise, Giuseppe Brandallione.

      Curiosamente, retornaram os Barra à liderança, que estivera estampada com outros nomes em documentos anteriores já exibidos. Porém ao lado da referida família, também personalidades do século dezessete compareceram, isto é, os Canizio, Stroduti, Loise Brandi e Gaetano que se mantiveram com o tradicionalismo pós-renancentista e novas figuras como os Leone, Viggiano, Martini e Brandalllione acompanharam-nos.

     Os Mercadantes não aderiram à Idéia da Irmandade em razão de considerá-la demasiado engajada à nobreza, ainda que sempre lhe fossem gratos.

     Porém, desde 1772, aos Princípios de uma Nova Ciência, a influência do napolitano João Battista Vico, suscitando pontos de vista avançados por idéias da ala progressita da Escolástica, que parecia se ajustarem a reflexões de Bacon, tendo sugerido aos Mercadantes e a outros católicos a cautela de posição burguesa ante a sofreguidão de barrar pressões ao pensamento conservador.

      Já quase há trezentos anos na Itália Meridional, não percebendo ímpeto algum inovador, poderia a família ter sentido os riscos de radicalizar determinadas repercussões ditadas pela nobreza assustada? 
     É preciso considerar os termos seiscentistas dos Barras na liderança dos pacíficos cidadãos de Torraca, buscando trazer de Salerno as idéias de um Estado que se sobrepusesse à aristocracia.

     Também o Iluminismo francês refletira-se por toda a Europa, nas Universidades italianas sobremodo. Urgia constituir-se o Estado Moderno e a demorada união entre o Castelo e o burgo estava atravessada por gratidão e solidariedade. A prosperidade da burguesia e a decomposição da nobreza compensavam-se por interesses senhoriais desde as primeiras Cruzadas. A Igreja teria sido a força moderadora que evitava a ruptura e Torraca assim procurava reagir naquele final do Setecentismo.

     Os textos dos deveres são explícitos quanto à aliança fraterna que devia existir: “Il Padre Spirituale debba essere uno de’ più abili, ed exemplari, e deba exigersi com maggioranza dei Votti Segretti de Fratelli r sai amovibile ad nutum di essi Fratelli”.

     É preciso levar em conta que a Europa estava então a onze anos da Revolução Francesa, justificando-se o pavor que rondava as classes sociais e os estamentos. Acresce a outra circunstância das conquistas inglesas no terreno dos direitos humanos e da própria forma de governo constitucional.

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Published in: on abril 5, 2008 at 5:47 pm  Deixe um comentário  
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