As Guildas

– IX –

    Em Florença, no século XII, há registros de guildas ou corporações de mercadores de lã e de seda, tendo por modelo as associações mais antigas existentes no Império Bizantino. Reapareciam, assim, em outras regiões como na França e em Flandres, muitas se transformando em associações de comércio. Tão fortes que disputavam as direções dos conselhos municipais.

     Era o poder mercantil envolvendo-se na política, dando à burguesia o status que a levava próxima à nobreza. Também na Inglaterra as mais antigas referências situam-se no século XI.

     Mas nas cidades italianas prevaleciam as de mercadores, uma vez que rotas comerciais do Oriente subiam pelos mares Tirreno e Adriático, negociando com grande variedade de mercadorias; adquiriam matérias primas, organizavam suprimento de víveres, policiavam caminhos. Os artífices no século seguinte passaram a imitar os mercadores, associando-se também, exercendo as guildas de artesãos controle democrático sobre as oligarquias de mercadores.

     No norte da Itália, geraram as cidades, em seu desempenho comercial, a burguesia mercantil de forte poder econômico e financeiro, desfazendo-se dos grilhões feudais. Nessa época, o ramo dos Mercatantis de Florença obtivera os brazões da nobreza. Em verdade, a derrota dos senhores feudais significou a vitória para a camada dos mercadores e banqueiros. 

     Desde o século XI até meado do XIV, aquando da Peste Negra, a população da Europa aumentara. A transformação econômica acarretava a migração do campo para os burgos. Em 1200 Paris com cem mil habitantes, Bruges com cinquenta mil, cem anos após, em Veneza, Florença habitavam cem mil cada uma.

     Foi a época de apogeu de nosso clã nas cidades de Hispânia e Itália. Também período de divisão religiosa entre os nossos primos antepassados. Alguns ramos de Sefará converteram-se ao catolicismo, outros, ainda mantinham o tradicionalismo essênico e eram fiéis ao Talmud.

     Os comerciantes abastados adquiriam ares aristocráticos, vivendo em mansões, trajavam vestuários caros. Os nobres aborreciam-se, combatendo o exibicionismo.

     A conversão para a Igreja cristã do segmento de sefardins deu-se por famílias, tendo início nos finais do Trezentos. No século seguinte os caminhos marítimos vinham desde o sul da Hispânia, de Barcelona, navegando o Mediterrâneo pela costa ocidental da península até Messina na Sicília, depois de atracar em Pisa e Nápoles. Após deixar nessas últimas cidades especiarias e principalmente seda, às vezes obliquava-se até Tunis, na África, onde havia armazém da companhia.

     Noutra rota seguia-se pelo Mediterrâneo, passando por Malta, a fim de alcançar a Ilha de Creta, que constituía o maior dos empórios. Nele é que desembarcavam os artigos vindos do Extremo Oriente por intermédio da Turquia e de Azerbaijão. Por fim, uma terceira rota que seguia pelo Adriático até Veneza, contornando o oeste da Grécia no Mar Jônico.

     De modo curioso, pelo meado dos anos setenta, enquanto folheava incunábulos no acervo de antiquário em Marselha, deparei-me com diversos gráficos de rotas medievais, onde os nomes de três companhias marcavam-nas em minúscula letra desenhada em gótico.

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