O clã na antiguidade

– II –

     Os Mercadantes atuais, considerando os traços faciais característicos e vocações determinadas de natureza cultural, incluídos os que ainda permanecem, integraram no distante passado do domínio romano, uma das três tribos hebraicas.

     A mais perfeita constituia a dos essênios. Judeus de nascimento, vivendo em estreita união e avaliando as virtudes com rigor, desprezavam a riqueza, tornando comuns todas as coisas com a igualdade que milênio depois no século XIV pregariam os fraticelli ou franciscanos espirituais naturais da Itália e seus seguidores no Ocidente.

     Adoravam um só Deus, eram tranqüilos, de impressionante longevidade, uma vez que metódicos em tudo, elevavam a honra acima de todas as coisas.

     Na guerra contra os romanos mostraram-se de muita coragem. Certos da imortalidade da alma, dividindo as esferas entre o bem e o mal, ao primeiro cabendo a felicidade eterna e ao segundo, os tormentos.

     Diferentes, assim, dos saduceus: rígidos, acatando o princípio do livre-arbítrio e crendo não serem as almas castigadas ou recompensadas em outro mundo.

     A última das seitas, a dos fariseus, vivia indiferente às idéias, elegendo forma de vida metódica, ou seja, dividindo como os luteranos e calvinistas de hoje, o sentido espiritual na frequência da sinagoga e o pragmatismo do labor cotidiano.

     O protestantismo oriundo do século dezesseis triunfou pelas mãos da Reforma e projetou-se na era contemporânea graças à resolução da dicotomia católica dividida pelo maniqueísmo da ética e o espírito do capitalismo.

     Não nos é difícil aceitar a tribo dos Mercadantes nas raízes remotas dos essênios ou dos fariseus. Primeiramente quanto ao nome, adotado antes das conversões, marcado pelo étimo etrusco merc, de mil anos antes de Cristo. Explica-se a inclinação para o comércio durante a Meia Idade; em segundo lugar, a escolha do nome cristão segundo o sinificado mercador do estudo do comportamento comunitário durante a estada no vallo della Lucania, Policastro, Pisciotta, Itália meridional, nos limites entre duas províncias cristãs.

     Mas tudo se trata de conjecturas quando o mergulho não procede da Revelação ou de provas por documentos. A tradição sucumbe diante da fragilidade das lembranças.

     Necessário compreender que um dia tudo começou, os séculos passaram, o clã constituiu-se e como em Diário os fatos se foram registrando e por séculos e séculos seguidos tornaram-se espécie de evangelho familiar. Se possível, ora, bem provável, houve tempo anterior quando os neolíticos fizeram os seus petrechos de pedra e chifre, armaram-se de punhais de silex e de machados, partindo de retorno às florestas da Europa saída da longa era glacial.

     Inaugurariam as raças de nossos dias. Miscigenaram-se da mesma forma que nos futuros tempos iria ocorrer.

     Diversos dos neolíticos viveram há dez ou trinta mil anos, vindos lentamente do sul e do sudeste e nessas criaturas incluiam-se aqueles que constituíram os nossos antepassados.

     Essas criaturas guardaram mensagens e informações em memes, povoando os nossos sonhos e pesadelos e neles produzindo rostos e perfis surrealistas.

    O neolítico é desconcertante, pois, do ponto de vista psicológico, levando em consideração o princípio da teleonomia, guarda, em nossos dias, sentimentos idênticos aos antepassados, bem como imaginação, dedicado que era às artes, à música bem como à pintura. Do ponto de vista dos centros instintivo, emocional, mudanças não se deram em todo o curso histórico.

      Paradoxalmente o neolítico de ôntem é o mesmo de hoje não só em criatividade como em suas emoções. O mesmo intelectivo que ilumina tanto Platão quanto Einstein, tanto Esquilo quanto Proust; idêntica emocionalidade de tiranos, tanto Dracon quanto Stáline, idêntica bondade de santos, místicos e criaturas que adotam o dever moral kantiano.

      Portou-se com moderação naquela medida em terreno áspero de azares e fortunas, dando começo à caça, indo, em seguida, para o labor agrário, abrigando-se em antigas cavernas dos primos paleolíticos, aprendendo ainda a domesticar o boi, o carneiro, o porco e o cavalo.

     H. G. Wells chama-nos a atenção da circunstância de não ser possível avaliar até que ponto esse povo era recém-chegado e até que altura as suas artes foram por si desenvolvidas ou adquiridas dos descendentes dos últimos paleolíticos.

      Seja como for, isso teria ocorrido após a inundação do vale do Mediterrâneo, já pelo fim da era glacial, talvez entre 15.000 e 10.000 anos A C.

      Desse modo, vivemos a pré-história aproximadamente doze séculos antes da conquista de nosssa etapa civilizada na Mesopotânia, entre os rios Tigre e o Eufrates.

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