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	<title>Paulo Mercadante</title>
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	<description>Experiência e reflexão</description>
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		<title>Paulo Mercadante</title>
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		<title>Nova despedida de Londres</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Jun 2010 19:21:57 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Diário]]></category>

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		<description><![CDATA[Londres, 10.10.75, Sexa-Feira.  Ao almoçar naquela sexta-feira, véspera de retornar ao Rio, lembrei deste encontro com Sir David Hunt e de sua permanência como embaixador no recente passado. Um de seus filhos, Richard, já aqui em Londres, conheci em casa de Antônio Olinto. Ora, não muito tempo depois, visito-lhe o pai em seu clube e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pmercadante.wordpress.com&amp;blog=2505374&amp;post=457&amp;subd=pmercadante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;"><strong>Londres, 10.10.75, Sexa-Feira.</strong> </p>
<p style="text-align:justify;">Ao almoçar naquela sexta-feira, véspera de retornar ao Rio, lembrei deste encontro com Sir David Hunt e de sua permanência como embaixador no recente passado. Um de seus filhos, Richard, já aqui em Londres, conheci em casa de Antônio Olinto. Ora, não muito tempo depois, visito-lhe o pai em seu clube e nos sentamos à mesa para o drinque. Dessa vez, posso dizer, o conheci em suas idéias liberais e percebi quanto gostava do Brasil.</p>
<p style="text-align:justify;">Naquele local sentia quanto os ingleses apreciavam o clube na área de suas relações sociais, pois Londres é enorme e toda a existência da pessoa pode afogar-se no passado sem as relações da juventude e até da infância. Pode-se dizer que o pub esteja tecido desde o clima comum de vizinhança urbana até os patamares da vida financeira e política.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao que Sir Richard visava, em minha visita, era certificar-se de que íamos bem em nossos projetos de crescimento econômico e avanço cultural. Conversamos sobre literatura em razão de rápida menção a Aldous Huxley, o que suscitou outro convite a Pall Mall em próximo regresso a Londres. E naquele encontro, falou-me daquela arquitetura primorosa, respondendo em seu profundo conhecimento de arqueologia histórica ao citar Charles Barry, que Huxley também integrara no Pointer Counter Point.</p>
<p style="text-align:justify;">Mais tarde diría eu a Richard, seu filho, todo o nosso encontro, pois o moço era admirador do pai e buscava em pesquisas, entender como lhe fora possível deixar a arqueologia da Grécia a fim de ser diplomata.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pmercadante.wordpress.com/457/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pmercadante.wordpress.com/457/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/pmercadante.wordpress.com/457/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/pmercadante.wordpress.com/457/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/pmercadante.wordpress.com/457/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/pmercadante.wordpress.com/457/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/pmercadante.wordpress.com/457/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/pmercadante.wordpress.com/457/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/pmercadante.wordpress.com/457/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/pmercadante.wordpress.com/457/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/pmercadante.wordpress.com/457/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/pmercadante.wordpress.com/457/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/pmercadante.wordpress.com/457/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/pmercadante.wordpress.com/457/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pmercadante.wordpress.com&amp;blog=2505374&amp;post=457&amp;subd=pmercadante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Etapa Encerrada</title>
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		<pubDate>Sat, 01 May 2010 18:45:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pmercadante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário]]></category>

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		<description><![CDATA[Londres, 8.l0.75, Quarta-Feira. Girando por Londres de carro em busca de algumas encomendas, retornei do Museu Britânico. Há tanta coisa a comentar, não fosse a diversidade do que vemos sem anotações que facilitassem a compreensão paralela ao arrepio da cronologia. Pormenores que por certo nos acompanharão pelo futuro, freqüentando túneis e cavernas. Talvez alguns, como [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pmercadante.wordpress.com&amp;blog=2505374&amp;post=455&amp;subd=pmercadante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;"><strong>Londres, 8.l0.75, Quarta-Feira.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Girando por Londres de carro em busca de algumas encomendas, retornei do Museu Britânico. Há tanta coisa a comentar, não fosse a diversidade do que vemos sem anotações que facilitassem a compreensão paralela ao arrepio da cronologia. Pormenores que por certo nos acompanharão pelo futuro, freqüentando túneis e cavernas. Talvez alguns, como variáveis impertinentes, estarão conosco até o último sono.</p>
<p style="text-align:justify;">A Grã-Bretanha soube, furtando ao longo de sua história, criar algumas personagens que serão eternas. Como lembrança dos faraós, havemos de debater outros hieroglifos com figuras do porte de Rainha Izabel, Henrique VIII e ainda Churchill em nosso trânsito pelo Novecentos.</p>
<p style="text-align:justify;">Não me é difícil relembrar, em menino, e fitar os olhos naquele aperto de mão que Chamberlain e Adolfo Hitler exibiram à minha puberdade. O guarda-chuva do britânico tornou-se símbolo da ingenuidade de que todos nós, contemporâneos, nutrimos como esperança até 31 de agosto de 1939.</p>
<p style="text-align:justify;">No ano seguinte, prestando serviço militar em minha cidade natal, aprendi a montar e desmontar meu fusil Mauser e via pela vez primeira, no antigo clube Carangola, a ser apenas exibida, metralhadora reluzente que nos proporcionava a Região Militar sediada em Juiz de Fora.</p>
<p style="text-align:justify;">Não podia supor que participaria do conflito mundial.Mas sobre a minha mesa de estudo, o mapa da França fixava a tática nazista de aguardar a oportunidade em repetir a <em>blitz</em> de 19l4. A França corrompida de então se sentara na Linha Maginot a fim de conter as tropas que viriam necessariamente dos Países Baixos e ponto final.</p>
<p style="text-align:justify;">A Segunda Guerra copiou o projeto da Primeira, nele introduzindo o ataque pela retaguarda francesa, sem a possibilidade de outra vez perder-se no Marne.</p>
<p style="text-align:justify;">Nada podíamos prever e quase certos de que Vargas seria capaz de aguardar a hora de romper com a neutralidade, acomodamo-nos até que o nosso Sargento preparou o esquema da <em>participação.</em></p>
<p style="text-align:justify;">No sítio vizinho ao vilarejo de Alvorada, rompemos pela madrugada para o ataque, sem aviso à população. Atirando naturalmente com polvora, assustamo-nos quando os moradores, supondo que se tratasse de algum bando, revidaram à bala com suas espingardas ainda imperiais. Do comando de esquadrão a ordem veio em termos erradamente dúbios: que rastejássemos colina abaixo com a bandeira branca. Assim o fizemos e, dessa forma, nosso começo foi de derrota e não de retirada como devia.</p>
<p style="text-align:justify;">Cobertos de lama, retornamos à sobretarde e jamais contamos aos amigos o malogro, ficando a experiência cômica em nossos fastos existenciais.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando fui convocado em 1943 decidiu o Exército mandar-me à Aeronáutica graças a relativo dominio de inglês. Lá se deu a minha formação técnica sob o comando do Coronel Eng. Joelmir Araripe Macedo, vindo de relações tenentistas.Para mim importante era o também engenheiro civil Fernando Rebello Pessoa que cuidou da nova tecnologia do Fairchild. Nessa parte o segui atento desde a minha permanência na área do Galeão, nela subentendida a prática da oficina e montagem.</p>
<p style="text-align:justify;">Cheguei ao Direito pelo fato de ser possível matricular-me no único curso noturno existente, uma vez que na Politécnica os cursos eram diurnos. Excetuada a teoria, a prática também foi para o ar. No imprevisível da vida, passei da experiência do jornalismo para o magistério. Toda essa história me fez percorrer as matérias sociais com admiráveis professores na Faculdade do Catete. Leônidas de Resende, Economia, Homero Pires, Teoria do Estado, Oscar Tenório, Direito Internacional Público.           ﻿</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pmercadante.wordpress.com/455/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pmercadante.wordpress.com/455/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/pmercadante.wordpress.com/455/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/pmercadante.wordpress.com/455/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/pmercadante.wordpress.com/455/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/pmercadante.wordpress.com/455/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/pmercadante.wordpress.com/455/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/pmercadante.wordpress.com/455/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/pmercadante.wordpress.com/455/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/pmercadante.wordpress.com/455/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/pmercadante.wordpress.com/455/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/pmercadante.wordpress.com/455/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/pmercadante.wordpress.com/455/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/pmercadante.wordpress.com/455/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pmercadante.wordpress.com&amp;blog=2505374&amp;post=455&amp;subd=pmercadante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O vertir de uma revisita.</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 21:43:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pmercadante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário]]></category>

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		<description><![CDATA[Londres, 7.10.1975, Terça-Feira. Ao meio-dia viera de Paris. Ainda pela manhã de ontem, estive a buscar em Agência da Varig algum exemplar do Jornal do Brasil. Nada de novo há três dias e já sigo ao Hotel para a fim de pegar a mala e seguir a meu destino. Olinto me aguardava no hall do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pmercadante.wordpress.com&amp;blog=2505374&amp;post=452&amp;subd=pmercadante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;"><em><strong>Londres, 7.10.1975, Terça-Feira.</strong></em></p>
<p style="text-align:justify;">Ao meio-dia viera de Paris. Ainda pela manhã de ontem, estive a buscar em Agência da Varig algum exemplar do Jornal do Brasil. Nada de novo há três dias e já sigo ao Hotel para a fim de pegar a mala e seguir a meu destino.</p>
<p style="text-align:justify;">Olinto me aguardava no hall do Tivoly, de onde subi para o meu aposento. Na Gerência, como em plantão, estava o conhecido cearense que sempre se ocupa de meu conforto. Dali, avistava o bate-bola de garotos.</p>
<p style="text-align:justify;">Bem, saímos a caminhar pela Edgware, almoçando no restaurante da mesma avenida. Fiz o usual câmbio, percebendo naquela rotina pormenores estilhados de outras vezes.</p>
<p style="text-align:justify;">As notícias que lhe passo nada acrescentam ao que sabe por telefonemas e outros cariocas que lhe vem ao encontro. Impossível existir criatura mais afável, confiante em que retornemos à normalidade política. Dou-lhe o que sei das coisas do Planalto, bem como notícias a respeito de nossa economia.<br />
Chegamos ao final da longa avenida, vizinha do Hyde Park, em hora que o britânico prepara-se para rever as horas vencidas e as notícias internacionais da televisão.</p>
<p style="text-align:justify;">À procura de uma flauta que meu filho Márcio me pedira, tomamos o taxi e, afinal a encontramos.</p>
<p style="text-align:justify;">Em pub da Oxford St sentamo-nos e ouvi sua idéia de lançar o jornal que prestasse informações sobre as possibilidades de intercâmbio entre os países. Há algum tempo já o ouvira sobre interesse de importadores e exportadores. Com os recursos da publicidade acreditava cobrir os custos, uma vez que já sondara e fora sondado a respeito.</p>
<p style="text-align:justify;">Assim as horas passaram, Regent e Oxford sts. vestiam-se tranqüilas e pouco noturnas.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pmercadante.wordpress.com/452/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pmercadante.wordpress.com/452/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/pmercadante.wordpress.com/452/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/pmercadante.wordpress.com/452/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/pmercadante.wordpress.com/452/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/pmercadante.wordpress.com/452/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/pmercadante.wordpress.com/452/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/pmercadante.wordpress.com/452/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/pmercadante.wordpress.com/452/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/pmercadante.wordpress.com/452/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/pmercadante.wordpress.com/452/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/pmercadante.wordpress.com/452/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/pmercadante.wordpress.com/452/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/pmercadante.wordpress.com/452/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pmercadante.wordpress.com&amp;blog=2505374&amp;post=452&amp;subd=pmercadante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O engano elegante</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Dec 2009 17:55:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pmercadante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário]]></category>
		<category><![CDATA[frança]]></category>
		<category><![CDATA[Paris]]></category>
		<category><![CDATA[paulo mercadante]]></category>

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		<description><![CDATA[Paris, 06.10.75, Segunda-feira. O dia inteiro propenso à irresponsabilidade do presente. Daqui por diante tirei de minha cabeça todo o passado e insisto em ignorar o futuro. Isso quer dizer que não ligo o factual ao desempenho do conhecimento instantâneo. Passo pela Concorde e não atribuo ao seu histórico os dias de Terror, muito menos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pmercadante.wordpress.com&amp;blog=2505374&amp;post=448&amp;subd=pmercadante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;">Paris, 06.10.75, Segunda-feira.</p>
<p style="text-align:justify;">O dia inteiro propenso à irresponsabilidade do presente. Daqui por diante tirei de minha cabeça todo o passado e insisto em ignorar o futuro. Isso quer dizer que não ligo o factual ao desempenho do conhecimento instantâneo. Passo pela Concorde e não atribuo ao seu histórico os dias de Terror, muito menos não recorro à Davi a qualquer imagem que seu lápis desenha bem na Tivoli.</p>
<p style="text-align:justify;">Trata-se, pois, de experiência existencial e, em conseqüência, admito para argumentar o confronto da cidade bela com Roma desordenada e anárquica. No primeiro caso, é preciso levar em conta que Paris carrega em si o egoísmo da fama, desmentindo, assim, a frivolidade do parisiense a fim de esconder o fetichismo de que vale alguma coisa.</p>
<p style="text-align:justify;">Efetuamos a excessão da francesa, só atenta ao vestuário sofisticado e a beleza discutível que obtém do maquilador. Final de conta batiza a sua fascinação por meio artificial e haja enganados de todo o planeta ao pisar em ruas elegantes.</p>
<p style="text-align:justify;">Mais chegada a nós, latinos desencantados, a nova Roma está plena do passado que em si é magnífica e então perdoamos a displiscência de seus habitantes no cuidar da preservação de seus monumentos.</p>
<p style="text-align:justify;">Paris só pensou em engrandecer sua revolução de 1789 aquando cometeu os horrores dos intelectuais fascínoras com o perfil sinistro de Robespierre. Tudo valeu, então, para dar à França o cartão postal que até hoje serve para extremistas e bandidos comuns, quando estes passaram por qualquer escola primária ou secundária da vida.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas eu, em meu giro, deixei de lado todo o desencanto com o povo francês a fim de dar algum valor à beleza histórica de suas ruas sujas e de seus prédios sem qualquer estilo e puramente padronizados. Porém é um prazer um dia todo livre de visitar as suas igrejas meramente copiadas daquelas que se admiram nas cidades meridionais da Itália.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pmercadante.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pmercadante.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/pmercadante.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/pmercadante.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/pmercadante.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/pmercadante.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/pmercadante.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/pmercadante.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/pmercadante.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/pmercadante.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/pmercadante.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/pmercadante.wordpress.com/448/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/pmercadante.wordpress.com/448/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/pmercadante.wordpress.com/448/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pmercadante.wordpress.com&amp;blog=2505374&amp;post=448&amp;subd=pmercadante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Dias Informais</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Dec 2009 17:25:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pmercadante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário]]></category>

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		<description><![CDATA[Rouen, 05.10.75, Domingo. Pelo final da tarde, a fadiga era bastante para deter-me na Pensão. Mas a venci e por ônibus fui seguindo em direção a Paris. Afinal, rodara por toda a cidade e me parecia nitidamente o retrato de burgo em franco crescimento, ou seja, apagando pela arquitetura o que houvera do passado novecentista. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pmercadante.wordpress.com&amp;blog=2505374&amp;post=440&amp;subd=pmercadante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;"><strong>Rouen, 05.10.75, Domingo.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Pelo final da tarde, a fadiga era bastante para deter-me na Pensão. Mas a venci e por ônibus fui seguindo em direção a Paris. Afinal, rodara por toda a cidade e me parecia nitidamente o retrato de burgo em franco crescimento, ou seja, apagando pela arquitetura o que houvera do passado novecentista. O mesmo parecia estar ocorrendo também pela Normandia.</p>
<p style="text-align:justify;">O Século XX tem sido destruidor, a gente observa o mesmo nas aldeias. Parece haver a corrida em direção as Metrópoles. Tudo, enfim se deve à televisão, ao rádio, ao telefone e, principalmente, ao asfalto das estradas. Esse último desperta o ânimo das pessoas para os passeios, o que anteriormente não havia. Cá em França, tão próximo a Paris, o cidadão urbano já se põe a par das notícias políticas e comenta por mórbido prazer o último crime da cidade maior.</p>
<p style="text-align:justify;">Posso ora avaliar que em Rouen há interesse intelectual como percebi na livraria do centro, onde passei pelo menos uma hora trocando impressões com os seus freqüentadores. Meu sotaque italiano naquele francês rude que punha em exercício ora me dificultava porque ainda há desinteresse em coisas do Brasil e lembranças da guerra não escondiam certa mágoa dos peninsulares.</p>
<p style="text-align:justify;">Porém por coincidência encontrei uma professora que pelo Rio de Janeiro passara alguns dias e guardara as impressões de Copacabana. Formara-se em História e muito apreciara os cariocas. Afinal, meu dia ganhara a intimidade com o grupo que freqüentei, no cair da tarde, no principal bar da Praça Central. Um deles, admirador da poesia francesa, apreciava Rimbaud e Verlaine e já lera romances de Jorge Amado traduzidos para o francês.</p>
<p style="text-align:justify;">Bem, tudo isso aí me fazia sorrir quando me propunham voltar sempre em Rouen como se fosse cidadão honorário. Mas o que gostei foi o tratamento de Maitre, que dão aos advogados. Conhecendo bem a categoria, pude avaliar a honra pela consideração. Estava certo de que não mais lá voltaria em razão do sentido que dava ao meu projeto de conhecer uma infinidade de cidades em limitada duração de vida. Mas isso não se diz e ficara, então, em Rouen minha sombra apenas que um dia esmaecerá pelo tempo. Porém vivam as coisas de imorredoura lembrança.</p>
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		<title>Sempre Fatia do Passado</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Dec 2009 18:41:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pmercadante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário]]></category>

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		<description><![CDATA[Rouen, 04.10. 1975, Sábado.                     O que fiz pouco interessa, mas no domingo tornou-me interessante o trajeto pelas pequenas cidades em dia calmo do interior.                   Elas muito se parecem desde a manhã à noite; sentado à frente e dirigindo sem propósito, de certo modo havia repetição de cenas ocorridas. À medida que subia, visando [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pmercadante.wordpress.com&amp;blog=2505374&amp;post=438&amp;subd=pmercadante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;"><strong>Rouen, 04.10. 1975, Sábado.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">                    O que fiz pouco interessa, mas no domingo tornou-me interessante o trajeto pelas pequenas cidades em dia calmo do interior.</p>
<p style="text-align:justify;">                  Elas muito se parecem desde a manhã à noite; sentado à frente e dirigindo sem propósito, de certo modo havia repetição de cenas ocorridas. À medida que subia, visando à Mancha, lembrava-me a ação dos aliados para Paris a fim de tomá-lá dos nazistas. De quando em vez via o Senna a caminho para o Havre.</p>
<p style="text-align:justify;">                  Em geral descia nas aldeias, havia resíduos de dialetos desaparecidos ou, talvez, ocultos nos subconscientes dos campônios ou da pessoa desconfiada com o  estranho. Não entendia a razão por que tão perto de Paris sobrevivia aquele atraso nos costumes.</p>
<p style="text-align:justify;">                  Dirigia-me ao homem comum com o maior respeito, evitando suspeita de mal intencionado ou até má criatura. Ao girar pelo centro do povoado ou mesmo já percorridos os arredores da cidade, lembrava-me dos velhos filmes da esola francesa nos finais dos anos trinta, antes da guerra, quando <em>Raimu</em> nos advertia das questões ligadas a episódios do campo, o que, no passado, Maupassant claramente deixara transparecer em seus contos.</p>
<p style="text-align:justify;">                  Viviane Romance era então símbolo, porém falsamente mudo. O passo adiante que superou os filmes da velha escola, sem qualquer dúvida, chegava com Marcel Carné em nosso assombro com o neo-realismo.</p>
<p style="text-align:justify;">                  Tempo de passado saudoso, quando com Rollemberg e Paulo Silveira catávamos filmes franceses nos <em>“poeiras</em>” da Praça Tiradentes. O primeiro, depois de seu retorno ao Nordeste, desapareceu, enquanto que Paulo resmungava ao ver Jean Gabin e Vivianne apenas se descartando daquele que a explorava.</p>
<p style="text-align:justify;">                  No pósguerra sempre nos encontrávamos no <em>Lamas</em> do Largo do Machado. Ele, secretário de redação da <em>Última Hora</em>, apaixonara-se pela música erudita, apesar de não perder as óperas trazidas pela troupe italiana. Lógica que a preferíamos.  E o baixo, Ferrucio Tagliavinni foi, em companhia de Elizabeth Barbato, certa noite, jantar conosco no Restaurante da Glória. <em>Roberto Lyra</em> os encontrara à procura de sua crônica musical na <em>Revista da Semana</em>    </p>
<p style="text-align:justify;">                  Ela, Barbato, tornava-se mais formosa após dois cálices de gim sem gelo.</p>
<p style="text-align:justify;">                  E quais eram os nossos amigos da política estudantil. Paulo Silveira foi eleito Presidente da UNE, deixando-me em seu lugar como Presidente do <em>Centro Acadêmico</em> <em>Luís Carpenter.</em> Tudo isso após a queda de Vargas em 29 de Outubro por razão de tentativa malograda de afastar os dois candidatos militares que iam defrontar-se nas eleições.</p>
<p style="text-align:justify;">                  No pós-guerra nova geração apareceu, foi surgindo no <em>Café Vermelinho</em>, onde, pelas cinco da tarde, começava a funcionar. O Partidão saíra da ilegalidade, o ditador escondeu-se em sua província, duas forças defrontavam-se: a <em>União Democrática</em> <em>Nacional e o Partido Social Democrático</em>. Candidatos, o Brigadeiro Eduardo Gomes e o General Dutra, ambos antigos tenentes, cada qual em sua esfera ideológica; o primeiro, ídolo da burguesia urbana, o segundo, instrumento da conciliação brasileira.</p>
<p style="text-align:justify;">                  A mudança do ritmo deveu-se ao abandono do <em>Amarelinho, </em>que era do tempo<em> </em>da Ditadura de Filinto Müller, agente do nazismo. Lá se misturavam esquerdistas e liberais, incluidos todos aqueles que se mantinham em cima do muro. Era espécie de <em>suruba</em> literária</p>
<p style="text-align:justify;">                  Assim morreu a nossa época acadêmica, enganosa em suas esperanças ideológicas, corroída, depois, pela repugnância à política, o que nos tornou também oportunistas. Jorge de Lima, Lúcio Cardoso, Camilo Soares e Clovis Gusmão. Depois, chegaram os garotos e formaram a patota do Nordeste, em geral bons poetas como Ledo Ivo e semiloucos quase geniais como Antonio Fraga.</p>
<p style="text-align:justify;">                  Anotei à noite minhas observações durante o trajeto até <em>Rouen</em>. Para mineiro do interior, onde vivi a adolescência, me parecem, em seu conjunto, confusas.</p>
<p style="text-align:justify;">                  Desde 1941, minha geração revelava perplexidade. Salvou-nos o cinema francês com <em>Lés</em> <em>Enfants du Paradis e Lés Visiteus du Soir </em>em forma suave de reencontro<em> </em>com a arte do cinema. Um grupo de mestres em direção trazia ao nosso grupo a paixão por bons filmes<em>. Nouveaux venus</em>, diziam os franceses a Marcel Carné, Jean Cocteau, Renoir, Lherbier, Jacques Becker, um cenarista genial, Viot, o brasileiro Cavalcanti, que já vinha dos anos vinte.</p>
<p style="text-align:justify;">                  Se recuarmos dez anos, um havia que não era fácil encontrá-lo: David Griffith. Porém, achamos o melhor dos seus trabalhos: <em>Le Lys brisé</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">            Por que não avaliamos ainda a influência do cinema em nossa formação, só realçando o impacto de Joyce, Aldous Huxley e Catarina Mansfield na literatura inglesa?<span id="_marker"> </span></p>
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		<title>Modernidade x Tradição</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Nov 2009 17:33:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pmercadante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário]]></category>

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		<description><![CDATA[Paris, 03.10.75, Sexta-Feira. Rodei e rodei  pela Rivoli e concluí por dirigir-me ao  Louvre. Só, deixei os recados na Gerência do Hotel. Tudo programado, mas ainda dependo de informações telefônicas do Rio e a tranquila presença de Hannibal em minhas refeições. Muito tenho aprendido com as amigas de D.Niomar cá residentes. Senhoras da geração do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pmercadante.wordpress.com&amp;blog=2505374&amp;post=435&amp;subd=pmercadante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;">Paris, 03.10.75, Sexta-Feira.</p>
<p style="text-align:justify;">Rodei e rodei  pela Rivoli e concluí por dirigir-me ao  Louvre. Só, deixei os recados na Gerência do Hotel. Tudo programado, mas ainda dependo de informações telefônicas do Rio e a tranquila presença de Hannibal em minhas refeições.</p>
<p style="text-align:justify;">Muito tenho aprendido com as amigas de <em>D.Niomar</em> cá residentes. Senhoras da geração do decênio de trinta, quando em minha terra acompanhava os acontecimentos que precederam a Segunda Guerra Mundial.</p>
<p style="text-align:justify;">O mais importante, a guerra civil espanhola entre os comunistas e os partidários do liberalismo. Dois símbolos vinham à frente do morticínio: o espírito tradicionalista secular dos ibéricos, sob o comando do <em>General Franco</em> e os adeptos de <em>Dolores Ibarruri</em> que em Moscou se encontrava, dobrando-se diante de <em>Molotov</em>, aliado a<em> Hitler</em> no preparo da guerra.</p>
<p style="text-align:justify;">Dificil entender a história nesse período, só depois decifrável pelas secretas informações de Manuilsky a Franco respeitante aos locais onde se escondiam os comunistas.</p>
<p style="text-align:justify;">As mulheres de trinta, algumas dos trinta, equiparadas a menores, soltaram o seu grito, reivindicando o direito de voto e personalidade civil. No palco, exibem-se na literatura, nas artes e nos casamentos.</p>
<p style="text-align:justify;">Da Bahia veio a jovem<em> Niomar</em>, escrevendo em revista seus primeiros artigos, trazendo o conhecimento de Proust para as jovens que só liam Delly e tocavam piano.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Paulo Bittencourt, </em>dono do “<em>Correio da Manhã</em>”, por ela se apaixonava.</p>
<p style="text-align:justify;">No “<em><span style="text-decoration:underline;">Jornal do Brasil</span>”</em>a Condessa, filha de Pereira Carneiro, era o comando do matutino<em>.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Quando o Movimento de 1930  veio do Sul e Getúlio Vargas assumiu o <em>Governo suposto Provisório</em>, sua filha <em>Alzirinha</em>, concluindo o ginnásio, dominou o pai e mais tarde, acadêmica de Direito, atraiu para sua liderança os maiores professores de então: <em>Leônidas de Resende, Hermes Lima, Castro Rebelo, Maurício de Medeiros</em> etc.</p>
<p style="text-align:justify;">Eram  também jornalistas e políticos de Esquerda, defrontando-se com os membros do Clube do Cajú, onde se destacavam Santiago Dantas, Schmitt, Nascimento Silva e os Galottis.</p>
<p style="text-align:justify;">Getúlio, ditador que sempre procurava disfarçar-se de liberal, deitado sobre o muro do Executivo, e seu irmão Bejamim,  figura mais poderosa da família, que encontrara a mais bela das mulheres de então, tomou-a do marido, e eis <em>Edyala,</em> em sua tranquilidade, dominando o cenário feminino.</p>
<p style="text-align:justify;">Sim, pois havia outras notáveis. <em>Adalgisa Nery,</em> ex-exposa de <em>Ismael Nery</em>, a mais notável figura da pintura da <em>Semana da Arte</em> <em>Moderna </em>em São Paulo, escritora, poetisa e eminência parda dos revolucionários de trinta, incluindo os tenentes de 22 e 24, trocou seu artista por <em>Lourival Fontes</em>, simpático orientador do futuro Estado Novo de 1937.</p>
<p style="text-align:justify;">Além de culta, senhora de inteligência rara, pontificava e incendiava o coração dos políticos.</p>
<p style="text-align:justify;">Havia ainda <em>Cecília Meireles</em>, poetisa, que assumira com Cassiano Ricardo a ala moderada dos escritores. Nada de radicalismo, como suspirava a Mario de Andrade a fim de que ele domasse seu amigo Osvaldo.</p>
<p style="text-align:justify;">Em outra ala, antes pragmática do que intelectual, estava <em>Aimée,</em> que <em>apenas </em>dirigia a cadeia jornalística de Assis Chateaubriand e alucinava o Ditador.</p>
<p style="text-align:justify;">O esquadrão era poderoso, nele se incluindo sem alarde outras intelectuais como <em>Dinah Silveira de Queiroz</em>, romancista e acadêmica, esposa, em segundo matrimônio, de <em>Dario de Castro Alves, Henriqueta Lisboa, e outras </em>Pelo<em> </em>começo dos anos quarenta, O Supremo Tribunal Federal, então formado por juristas, gerava em seu serviço taquigráfico a mineira Leda Boechat, que ia tornar-se famosa historiadora.</p>
<p style="text-align:justify;">Contemos ainda Bidú Saião no Teatro Municipal em sua fase áurea, sucedida por Gabriela Besansoni, ambas sopranos sinternacionais.</p>
<p style="text-align:justify;">No “front” da Esquerda, a mais preparada intelectualmente era <em>Maria Werneck</em>, presa em 1935 com <em>Olga Prestes</em>, porém mais conhecida se tornou a novelista <em>Raquel de Queiroz</em>, precursora do romance do Nordeste.</p>
<p style="text-align:justify;">Na segunda metade dos quarenta, a ruptura ocorreu naturalmente no âmbito feminino por motivo da influência de <em>Simone de</em> <em>Beauvoir</em>, companheira de <em>Sartre</em> em experiência de promiscuidade.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>No café Vermelhinho e Associação Brasileira de Imprensa</em> formou-se grupo novo, sem liderança, uma vez que quase toda a geração anterior mudara-se para Paris. <em>Edyala</em> casara-se com diplomata colombiano, tornando-se <em>Santo</em> <em>Domingo</em>, <em>Niomar</em>, <em>Bittencourt</em>, ambas em <em>Trocadero</em> constituiram o grupo da Praça Vendôme, bem próxima da <em>Opera </em>e do <em>Café de la Paix</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Destacavam-se, entre meia centena, as escritoras <em>Zora Seljean, Zélia Gattai,</em> esposas respectivas de Antonio Olinto e Jorge Amado, <em>Heloisa Ramos,</em> também<em> </em>casada com Graciliano Ramos, <em>Maria Barata,</em></p>
<p style="text-align:justify;">Outras engajavam-e na linha tradicionalista de Luis Carlos Prestes. O Partido Comunista não aceitava a liberdade exibida pelos novos tempos ao expor-se abertamente na Segunda Guerra..</p>
<p style="text-align:justify;">Do decênio de cinquenta aos dias atuais, a população cresceu desmedidamente. O domínio alcançado pela mulher firma-se no seu esforço de ocupar os postos de mando, o que se vai facilitando com a nova legislação de igualdade redigida pelo advogado e deputado<em> Nelson Carneiro</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">É isso aí e volto ao Hotel para mudar de trajo e jantar com as brasileiras de Paris.</p>
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		<title>Balancete sem data</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 18:37:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pmercadante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário]]></category>

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		<description><![CDATA[Paris, 02.10.75, Quinta-Feira Meu primeiro dia livre a permitir, só, tomar aquele café defronte ao Grand Hotel, recordar o passado da libertação em Paris e meus companheiros ingleses nuca mais vistos e jamais esquecidos. Passo pela Opera e me dirijo ao escritório do Daily Telegraph, onde deixo o recado para Michael. Encontro após o almoço [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pmercadante.wordpress.com&amp;blog=2505374&amp;post=432&amp;subd=pmercadante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;"><strong>Paris, 02.10.75, Quinta-Feira</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Meu primeiro dia livre a permitir, só, tomar aquele café defronte ao <em>Grand</em> <em>Hotel</em>, recordar o passado da libertação em Paris e meus companheiros ingleses nuca mais vistos e jamais esquecidos.</p>
<p style="text-align:justify;">Passo pela Opera e me dirijo ao escritório do <em>Daily Telegraph</em>, onde deixo o recado para Michael. Encontro após o almoço com D.Niomar e Giuliana, ajudando-me a fazer algumas compras por pedidos. Falávamos em italiano, pois sempre que sós, nosso assunto predileto eram memórias do estado de espírito genovês. Presente Michael, vinha-nos o respeito por virtudes britânicas.</p>
<p style="text-align:justify;">Brasil: como a criatura admirável amava o Rio de Janeiro, residindo o casal na rua Osvaldo Cruz, onde o Flamengo misturava-se a Botafogo. Eu e Ana Elisa não perdíamos os seus almoços e jantares. Lá conhecemos Carlos Tavares, Benedito Moreira e respectivas esposas: ali morou Michael em derradeiros anos de correspondente.</p>
<p style="text-align:justify;">Solitário pelo <em>Boulevard des Italiens</em>, por cujos cafés <em>Anglais e Tortoni</em> rolaram pobres e ricos como Oscar Wilde<em> et caterva. </em>Ele, abandonado pelos<em> </em>antigos admiradores, exibia a arrogância desesperada, que se mostrava complacente com o pobre diabo.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas os  intelectuais franceses apenas o cumprimentavam; certo romancista encontrou-o no murmúrio  de versos de sua Balada: <em>I know not whether Laws be right, Or whether Laws be wrong; All that we know who lie in gaol Is that the wall is strong; And that each day is like a year, A year whose days are long.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em></em>Creio que Harris, o mais realista dos biógrafos de Wilde, tenha razão quanto ao impulso masoquista de seu amigo, preferindo cumprir a pena dos tribunais a fugir como ladrão. Porém, lembremos que sua depressão sempre esbarrava com o velho ponto de vista de <em>que Paris bem vale uma missa</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">O que não ocorreria com Sá Carneiro, ainda que este se mostrasse autêntico em sua desgraça, sabendo mesmo até suicidar-se. Era, porém, português, sustentava-se na subjetividade genial de seu amigo Fernando Pessoa. Mas tragédia viria tão depois que não adianta comentá-la.</p>
<p style="text-align:justify;">Jantei no <em>Le Lotti</em> com Michael e Giuliana. Aquele abordava o tema ainda pouco estudado porque vigente. Tratava-se do sistema militar brasileiro que perdurava e era preciso estudá-lo sem preconceito, pois, do ponto de vista da economia, o País crescia no panorama da diversidade dos demais regimes.</p>
<p style="text-align:justify;">O jornalista trouxera muito material e acreditava que o seu anfitrião sempre seria propenso ao compromisso histórico que eu adotara quando publiquei minha <em>Consciência Conservadora no Brasil.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Sim<em>, est modus in rebus, </em>pois, <em>procastinare lusitanum est, </em>ou seja, é duvidoso que nossos líderes articuladores, no sentido que lhe deu Voegelin, são de fundo tradicionalista português, amenizado por toque pombalino. Não fosse o último, o que teria acontecido? A resposta reside na <em>incerteza</em>, estatística, como suporia Karl Popper no rumo de Schoredinger.</p>
<p style="text-align:justify;">Eis, aí, meus amigos, em que dão tanto a estatística quanto a própria complementaridade. Deus nos acuda de tantos sofismas. Tudo isso é a chamada ciência, imaginem a filosofia.</p>
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			<media:title type="html">Paulo Mercadante</media:title>
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		<title>Os Degraus das Missões</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 18:11:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pmercadante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário]]></category>

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		<description><![CDATA[Atlântico, 1-10, 1975, 4ª feira. Às 22h30 embarquei e nos mandamos para o outro lado do mundo. Viagem suave, diria agradável, lendo e refletindo. Talvez tenha deixado o meu escritório em ordem, pois no caminhar para dezembro as coisas se acomodam no Brasil em espetáculo de dolce far niente. Hannibal me telefonara há dez dias, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pmercadante.wordpress.com&amp;blog=2505374&amp;post=430&amp;subd=pmercadante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;">Atlântico, 1-10, 1975, 4ª feira.</p>
<p style="text-align:justify;">Às 22h30 embarquei e nos mandamos para o outro lado do mundo. Viagem suave, diria agradável, lendo e refletindo. Talvez tenha deixado o meu escritório em ordem, pois no caminhar para dezembro as coisas se acomodam no Brasil em espetáculo de <em>dolce far niente</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Hannibal me telefonara há dez dias, convidando-me para o Encontro em Madrid, pedindo-me a presença. Esclarecia que do Ensino não fugisse por motivo de afazeres. O melhor argumento consistia em oportunidade de ouvir a propósito a sábia palavra de Hermínia. Meu trabalho prometido há algum tempo dizia respeito a Mircea Eliade ou, se fosse melhor, ofertasse alguma reflexão sobre a natureza do homem. Enfim,  fixava-se ela no <em>Pagoyum</em>, como é conhecido o terceiro livro que trata do <em>Ente Naturali.</em></p>
<p style="text-align:justify;">A vivência<em> </em>da<em> </em>Metapsicologia em minha vida até então consistira em retirar, sem avisar meu pai, livros para leitura, em sua Biblioteca. Vigilante quanto à minha formação, advertiu-me certa feita de que havia relação razoável entre a fase juvenil e os assuntos a serem perquiridos.</p>
<p style="text-align:justify;">Queria dizer que era cedo a fim de que pudesse entender autores como Carlos Richet, Soudre, mesmo Lombroso, em temas como aqueles que me entrigaram, relativos à Josefina Paladino.</p>
<p style="text-align:justify;">Creio mesmo que meu interesse se deu quando o menino Jurandy, em Alvorada, distrito de Carangola, acordou certa manhã sem entender palavra alguma em português, falando correntemente em francês.</p>
<p style="text-align:justify;">A família Ferreira levou naturalmente a criança aos médicos que nada disseram sobre o fato, recomendando que o trouxessem ao Rio de Janeiro.</p>
<p style="text-align:justify;">Aqui os doutores o examinaram e ficaram surpresos diante da pronúncia correta do idioma. Nada a fazer.</p>
<p style="text-align:justify;">Argumento que hoje compreendo em razão da complexidade do fenômeno e por fim, ao ignorarem o episódio de G. Paladino, só resolvido, segundo a única versão, por hipnose.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu não confiava nessa disciplina porque, por experiência, sabia da comunicação telepática entre o ator e o paciente. Meu amigo Karl Weissmann, em livro sobre a matéria, acatava o mesmo ponto de vista de que a sugerência era como misteriosa ordem que vinha inserida no modo de abordagem à relação inicial.</p>
<p style="text-align:justify;">Não havia exceção entre os ingleses, talvez mau exemplo, mas nos lembremos do que ocorrera com Maurice Maeterlinck, e no Brasil com o escritor e poeta Bittencourt Sampaio, que só trouxe resultados no acatamento religioso ao espiritismo.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas o tema não seria, a respeito e sim acerca de Mircea e síntese de seus trabalhos.</p>
<p style="text-align:justify;">Bem, concluía, prometera à Sra Niomar Sodré ir até Paris para expor o andamento da quebra de seu matutino <em>Correio da Manhã</em></p>
<p style="text-align:justify;">Às cinco horas, em Paris, batia à Gerência do Madeleine Palace, e fui às chamadas locais após saber as notícias de casa. Em verdade, tínhamos chegado ao Orly um quarto depois das l5 horas. A escala em Lisboa havia atrasado a viagem sem qualquer explicação.</p>
<p style="text-align:justify;">Jantamos no <em>Bar des Theatres</em> com minhas duas clientes expondo-lhes eu o andamento das causas. A exigência da jornalista sempre era o ponto de partida para a estratégia do bom êxito na empreitada judiciária: seus funcionários não poderiam ser prejudicados em único centavo.</p>
<p style="text-align:justify;">Era o imperativo categórico que a guiava naquela conjuntura. Mulher admirável, dirigida por ética de responsabilidade, admirada pelas amigas tanto as de Paris, famosas pela beleza e compostura, quanto aos amigos do Rio e São Paulo. Osvaldo Peralva, diretor, Newton Rodrigues, chefe da Redação, Gilberto Paim, do Suplemento Econômico, Paulo Francis e Álvaro Lins, editorialistas, o Ministro Nascimento Silva, conselheiro.</p>
<p style="text-align:justify;">No ambiente tranqüilo do restaurante, minha explicação foi breve e sem formalismo jurídico. À tentativa de tansferir aos <em>Irmãos Bobagens</em>, que, em rescisão abrupta lhes devolveram o matutino, foram exigidas as obrigações fiscais e previdenciárias sob pena de execução. Os credores quirografários agiram honestamente e as composições se efetuaram judicialmente em função dos direitos trabalhistas.</p>
<p style="text-align:justify;">O sistema militar, por seu executivo, não fez pressão qualquer junto ao Judiciário no sentido de perseguição ideológica, toda a tramitação era dirigida sem preconceito do ponto de vista exageradamente liberal que D. Niomar Muniz Sodré Bittencourt imprimira à sua orientação.</p>
<p style="text-align:justify;">Quanto à minha outra cliente, tudo fora resolvido com facilidade decorrente da citação por correio, já concedida a liminar.</p>
<p style="text-align:justify;">Já à noite passamos à recepção dada por brasileira residente em Vendôme, à direita de quem passa pela rua Castigliani. Quanta coisa aprendi, então, sobre a fase histórica do Estado Novo. Vargas chegara em 1930, vindo do Sul, não só com aventureiros, também com criaturas sagazes e cultas, desde Oswaldo Aranha, Simões Lopes, Francisco Campos e o que havia de melhor entre os tenentes do Forte de Copacabana e militares da nova geração da estatura de Ernesto Geisel e Juracy Magalhães. As mulheres elegantes, belas e inteligentes desfilavam discretamente pela passarela do cassino Atlântico, observando, pesquisando, brilhando, enfim, como Adalgisa Nery e outras imperatrizes.</p>
<p style="text-align:justify;">O Presidente Vargas, como também era chamado, jamais comparecia, salvo para ouvir uma ou outra cantora estrangeira.</p>
<p>A maioria dos olhos voltava-se sempre em direção à Aimée de Heeren, nascida Sotto Mayor, a grande paixão de Getúlio e Assis Chateubriand.</p>
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		<title>O paradoxo dos fusos-horários</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Oct 2009 17:26:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pmercadante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário]]></category>

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		<description><![CDATA[Atlântico, 20.6.75. 6ª feira. Despeço-me, mais uma vez, de Portugal. Não me foi possível rever o Minho, estar com Luis Carlos, Conceição e irmãs, menos ainda de passar por Leça de Balio a fim de ouvir o silêncio da noite. O giro pela cidade muda com os amigos do Porto, torna-se a perspectiva de outro [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pmercadante.wordpress.com&amp;blog=2505374&amp;post=426&amp;subd=pmercadante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;"><strong>Atlântico, 20.6.75. 6ª feira.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Despeço-me, mais uma vez, de Portugal. Não me foi possível rever o Minho, estar com Luis Carlos, Conceição e irmãs, menos ainda de passar por Leça de Balio a fim de ouvir o silêncio da noite.</p>
<p style="text-align:justify;">O giro pela cidade muda com os amigos do Porto, torna-se a perspectiva de outro tempo posta no futuro. Onde estará o planeta em seu caminho?</p>
<p style="text-align:justify;">A despedida de Lisboa sempre se depara com o Chiado, a Brasileira, a travessia, afinal para dar o adeus à Praça de onde Fernando Pessoa seguiu para esquecer Lisboa “com as metafísicas perdidas nos cantos de cafés de toda a parte”.</p>
<p style="text-align:justify;">Então, sem projeto, subi e subi à cata dos bares antigos e dobrei à direita para descer até o solo da Catedral atingida pelo terremoto. Estava sem companhia a lembrar do tempo de guerra, de Lisboa com Salazar, orando, por certo indeciso se devia ou não, em proteção dos nossos navios mercantes, ceder espaço em Ponta Delgada a fim de se varrerem os submarinos alemães do Atlântico.</p>
<p style="text-align:justify;">Abaixei-me para apoderar-me de pequeno bloco com desbotado sinal de desenho, ali, provavelmente há mais de duzentos anos.</p>
<p style="text-align:justify;">Não mais o deixei e pessoa alguma havia naquele vazio do passado que pudesse tê-lo como lembrança. Confundia-me em dois planos do tempo, esquecido de meu parceiro a perguntar-me o que eram aquelas meias ruínas.</p>
<p style="text-align:justify;">Um quarteirão além da atual Santa Casa, o bar com pessoas sentadas, a beberem o terrível conhaque lusitano, nada sabiam e, no entanto, abrigava o poeta naquelas noites frias do decênio de vinte.</p>
<p style="text-align:justify;">Assim correram a manhã e parte da tarde. Encontrando-me com Michael Fields no saguão do Tivoli, disse-me ele que eu me atrasara hora e meia para o encontro, mas que havia tempo. Eram três horas quando chegamos ao Pub em companhia de Amaral de Sampaio, sempre atento aos acontecimentos políticos.</p>
<p style="text-align:justify;">Desse modo, o dia avançava tanto na rotação quanto na translação. Era preciso arrumar as malas, despedir-me de Ângelo de Almeida, agradecer mais uma vez o jantar de ontem no Casino Estoril, telefonar para Ana Elisa.</p>
<p style="text-align:justify;">Apesar do cansaço, introduzi em minha viagem, por três horas seguidas, o exercício do self-rembering uma vez que fora intenso o passeio e minhas anotações no Diário são sempre garranchos porque feitas à noite.</p>
<p style="text-align:justify;">Com relação a meu livro – Portugal-Ano Zero – concluí que estivera certo em não considerar válida a possibilidade de resultado comunista em sua tentativa de fingir-se propenso para acatar o sistema democrático.</p>
<p style="text-align:justify;">Tudo se acomodaria por duas razões com as quais Ângelo acordara: Ao norte, forças contrárias, tanto populares quanto não, opunham-se ao comunismo e poderiam apenas suportar a experiência da social-democracia do modelo inglês; a influência política de Mário Soares seria apaziguada por sua prudência, e marxista, como se declarava, não se esquecendo de sua ambição política.</p>
<p style="text-align:justify;">Por fim, o tradicionalismo português, invencível em termos cristãos e moderados.</p>
<p style="text-align:justify;">O vôo, irregular, confundindo-me à noite com o malabarismo dos fusos horários. Nele, a gente sente a relatividade do tempo, pois, ora, é meia noite cá no Atlântico, e no Rio Ana Elisa e meus filhos estão a jantar, o que já fiz há quatro horas, cabendo-me considerar que pela manhã irei acordá-los cedo em caso de chegada a casa.</p>
<p style="text-align:justify;">Por conseguinte, não sigo para o destino do presente e, sim, ao passado.                Eis o paradoxo do movimento, revelando a sua universalidade e sua presença em todos os fenômenos naturais.</p>
<p style="text-align:justify;">Retornamos aos gregos: o movimento como realidade ontológica.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/pmercadante.wordpress.com/426/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/pmercadante.wordpress.com/426/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/pmercadante.wordpress.com/426/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/pmercadante.wordpress.com/426/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/pmercadante.wordpress.com/426/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/pmercadante.wordpress.com/426/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/pmercadante.wordpress.com/426/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/pmercadante.wordpress.com/426/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/pmercadante.wordpress.com/426/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/pmercadante.wordpress.com/426/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/pmercadante.wordpress.com/426/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/pmercadante.wordpress.com/426/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/pmercadante.wordpress.com/426/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/pmercadante.wordpress.com/426/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=pmercadante.wordpress.com&amp;blog=2505374&amp;post=426&amp;subd=pmercadante&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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