Londres, 7.10.1975, Terça-Feira.
Ao meio-dia viera de Paris. Ainda pela manhã de ontem, estive a buscar em Agência da Varig algum exemplar do Jornal do Brasil. Nada de novo há três dias e já sigo ao Hotel para a fim de pegar a mala e seguir a meu destino.
Olinto me aguardava no hall do Tivoly, de onde subi para o meu aposento. Na Gerência, como em plantão, estava o conhecido cearense que sempre se ocupa de meu conforto. Dali, avistava o bate-bola de garotos.
Bem, saímos a caminhar pela Edgware, almoçando no restaurante da mesma avenida. Fiz o usual câmbio, percebendo naquela rotina pormenores estilhados de outras vezes.
As notícias que lhe passo nada acrescentam ao que sabe por telefonemas e outros cariocas que lhe vem ao encontro. Impossível existir criatura mais afável, confiante em que retornemos à normalidade política. Dou-lhe o que sei das coisas do Planalto, bem como notícias a respeito de nossa economia.
Chegamos ao final da longa avenida, vizinha do Hyde Park, em hora que o britânico prepara-se para rever as horas vencidas e as notícias internacionais da televisão.
À procura de uma flauta que meu filho Márcio me pedira, tomamos o taxi e, afinal a encontramos.
Em pub da Oxford St sentamo-nos e ouvi sua idéia de lançar o jornal que prestasse informações sobre as possibilidades de intercâmbio entre os países. Há algum tempo já o ouvira sobre interesse de importadores e exportadores. Com os recursos da publicidade acreditava cobrir os custos, uma vez que já sondara e fora sondado a respeito.
Assim as horas passaram, Regent e Oxford sts. vestiam-se tranqüilas e pouco noturnas.